Veja a Rosa

Era uma manhã de um dia de semana, desses de céu aberto e muito sol em São Paulo. O religioso entrou em uma igreja que não era a sua , ajoelhou-se no último banco, no vazio do templo, e fazia sua oração cheia de vida, dialogando com o Divino Pastor de seu rebanho.

Ouviu, então, ressoar uma voz de alguém, cuja presença não tinha percebido: – Ei, venha aqui! Venha ver a rosa. Ele olhou para os lados, para a frente e viu uma pessoa sentada nos degraus do altar. Levantou-se para averiguar melhor e ouviu novamente: – Venha aqui. Venha ver a rosa!

Embora sem entender, dirigiu-se até a frente e percebeu que sobre o altar havia realmente um vaso, no qual estava uma linda flor. Parou e pôs-se a observar o homem maltrapilho que, vendo-o hesitante, insistiu: – Venha ver a rosa.

O religioso não conseguiu atinar com o que ele queria, respondeu-lhe: – Sim, estou vendo a rosa. Por sinal, muito bela.

Mas o homem não se conformou e apelou mais uma vez: – Não, sente-se aqui e olhe a rosa.

Diante daquela insistência, o religioso ficou um pouco perturbado e perplexo. Quem seria aquele homem maltrapilho? O que desejaria com aquele convite? Seria sensato sentar-se ali, nos degraus do altar, junto com ele? Qual poderia ser a reação de quem fortuitamente entrasse na igreja e visse aquela cena? Vendo, porém, na pessoa daquele homem um irmão seu, quebrando o protocolo de sua posição episcopal, sentou-se ao lado do homem. Este então exclamou: – Veja, veja agora a rosa!

De fato, era um espetáculo todo diferente. Exatamente daquele lugar onde se sentara, daquele ângulo, via a rosa colocada sobre um vaso de cristal, num colorido digno de um arco-íris. Dali podia-se perceber um raio de luz do sol que vinha de uma das janelas do altar da igreja e se refletia naquele vaso, decompondo a luz e projetando um colorido peculiar sobre aquela flor, conferindo-lhe os fascinantes efeitos visuais de um arco-íris.

O religioso então exclamou: – Foi a única rosa em cores de arco-íris que vi até hoje! Convenceu-se, entretanto, de que só podia vê-la assim daquele ângulo, sentado nos degraus do altar junto daquele homem simples e enigmático. Se não tivesse tido coragem de se deslocar de onde estava, de romper preconceitos e até de se humilhar, jamais teria conseguido ver a rosa em um espetáculo tão extraordinário. Aquela foi uma experiência maravilhosa de entrega.

É preciso saber olhar o outro também de um prisma diferente do nosso. O amor assume coloridos diversos se tivermos coragem de nos deslocar de nosso comodismo, de romper com preconceitos, para podermos ver a outra pessoa de um modo diferente e novo. Há uma rosa escondida no nosso semelhante e não somos capazes de enxergar!

Há uma necessidade de sair de si mesmo, de dispor-se a sentar em lugar incômodo, de deixar de lado as prevenções, para você poder “ver as rosas” dos outros, desse ângulo diferente, até então despercebido.

Você, em sua vida profissional, familiar, no amor construído ou a construir, vai gostar de realizar esta experiência. Sem dúvida, pode custar um pouco. Não é fácil abandonar nossos arraigados preconceitos. Às vezes, parece impossível aceitar que se possa ver um colorido diferente onde, para nós, jamais poderiam ser vistas outras cores.

Mas não é demais fazer esta experiência! Abandone-se… Veja uma rosa diferente.

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