Saber Comunicar-se com Adolescentes

Por que é tão difícil nos comunicarmos com adolescentes? Será que é pelas mesmas razões que os adolescentes têm dificuldade em se comunicarem conosco? Uma das queixas mais comuns que os adolescentes fazem é que embora eles queiram se comunicar com os pais, sentem-se rejeitados pelo que os seus pais dizem ou pela maneira como o dizem.

Os seguintes passos nos ajudarão a atravessar a maioria das barreiras da conversação e a nos manter íntimos dos adolescentes.

Ganhar o direito de ser ouvido

Numa entrevista com a jornalista Ann McCarroll, Bob, de 15 anos, disse que tinha uma “mãe e tanto”! Ele explicou: “Todo dia de manhã ela se senta comigo enquanto eu tomo o café. Nós falamos de tudo o que vem à cabeça. Ela não é uma senhora fina, elegante, nem letrada. Ela é uma péssima dona de casa. Ela ignora a gramática quando fala. Mas se interessa por tudo o que eu faço e me escuta mesmo que esteja ocupada ou cansada.”
Passar tempo, demonstrar interesse, escutar, falar de “tudo o que vem à cabeça” – é um comportamento que nos concede o direito de sermos ouvido.

Estabelecer um propósito claro

Todos nós temos deslizes quando falamos, porque a língua tende a funcionar sem objetivo ou direção. As palavras fogem da nossa boca sem considerarmos o efeito que vão ter. Uma compensação disso talvez seja o sentimento de alívio temporário. Mas a custo de quê? Podemos fazer estragos terríveis quando falamos sem um objetivo claramente definido.

Evitar as coisas que matam o diálogo

Podemos estar conversando muito bem com os nossos adolescentes e de repente, sem mais nem menos, a conversa acaba. O culpado poderá ser um “assassino do diálogo”. Embora por vezes disfarçados, esses assassinos geralmente podem ser identificados por uma ou mais das seguintes características: falar incessantemente, contradizer, menosprezar, declarações dogmáticas, crítica no tom de voz, generalizações injustas e reações que revelam que a pessoa não está escutando. Por exemplo:
– Não senhor, custa $5,50 e não $4,50.
– Adolescentes dirigem muito mal.
– Quando é que você vai virar homem?

Controlar as nossas emoções

Todos nós de vez em quando exageramos no modo como reagimos, e isso não é tão ruim assim. Mas apesar de ser possível tirar algo positivo durante uma ocasional explosão de emoções, a maioria de nós concordaria, com base na experiência, que para manter uma comunicação saudável com os nossos adolescentes, precisamos controlar a maneira como exteriorizamos as emoções.
Eis algumas estratégias que funcionam para a maioria dos pais.

  • Faça um intervalo quando começarem a se exaltar. Quando você notar que alguém está para “explodir”, pode dizer: “Bem, vamos parar por aqui e falar mais depois do jantar.”
  • Reaja a comportamentos frustrantes da parte dos seus adolescentes com uma ação saudável antes de você perder o controle. Quanto mais tempo esperarmos, mais difícil vai ser reagir objetivamente.
  • Seja sensato ao escolher pelo que você vai lutar. Muitas coisas não são dignas de lutarmos por elas.

Em “Ser Pai Não é Para Covardes”, o psicólogo James Dobson nos conta a história de uma mulher que lhe disse que tinha uma filha de 12 anos muito geniosa. A mãe disse: “Travamos batalhas acirradas durante todo este ano. Tem sido horrível! Quase todas as noites a gente discute, e a maior parte das nossas brigas é por causa das mesmas coisas.” Quando o Dr. Dobson lhe perguntou a causa do conflito, ela respondeu: “A minha filha ainda é uma menininha mas quer raspar as pernas. Eu acho que ela é jovem demais para fazer isso e ela fica tão zangada que até fica sem falar comigo. Este foi o pior ano da nossa vida!” O Dr. Dobson olhou para a mãe e exclamou: “Minha senhora, compre um barbeador para a sua filha!” (Editor: O assunto em questão não é se meninas de 12 anos deveriam ter permissão para raspar as pernas ou não, mas sim que edificar um relacionamento é às vezes mais importante do que coisinhas irrelevantes.)

Investir tempo nos nossos adolescentes

Segundo um estudo, os homens estavam passando duas vezes mais tempo com os seus filhos em 1980 do que em 1960, mas isso só significa que eles aumentaram o tempo de 6 para 12 minutos por dia – 12 minutos para formar uma relação, para escutar de verdade!
Como é que você vai encontrar tempo para isso quando está tão ocupado? A resposta, é claro, é que não “encontramos” tempo, temos que fazer tempo. Eis algumas dicas úteis:

  • Controle a TV antes que ela controle você. A companhia A. C. Nilson, anunciou que a TV americana fica ligada, em média, 43 horas e 52 minutos por semana. São mais do que seis horas por dia.
  • Defina prioridades no seu programa de atividades. Na nossa vida tão agitada, é possível que o nosso tempo seja consumido por atividades que “exigem” o nosso tempo, mas que realmente não significam muito para nós. Talvez seja bom fazer uma lista das nossas atividades, incluindo ali o tempo passado com os nossos adolescentes, e organizá-las por ordem de importância. Assim podemos combinar uma hora para estar com os nossos adolescentes… seja para pescar, fazer compras, almoçar fora ou simplesmente conversar. Eu descobri que o meu adolescente geralmente está pronto para falar à noite. A única coisa que tenho que fazer é ajudar a fazer um lanche, puxar uma cadeira e falar e escutar como um amigo.
  • Aproveite ao máximo as conversas durante as refeições.

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