O que é a Adolescência?

O que é um adolescente? Nenhum casal se abraça e diz: “Vamos ter um adolescente!” Se isso fizesse parte do processo, talvez nós fôssemos em número bem menor!

O que é a adolescência? É um período de transição que pode-se equiparar, por cima, aos anos da adolescência propriamente dita, mas que se estende muitas vezes para além dessa idade nas duas direções. A adolescência é definida como um período entre o início da puberdade e a chegada à vida adulta. É um período de grande desenvolvimento físico, social, mental, emocional, moral e espiritual. É uma passagem dramática de uma fase para outra, quando tudo a respeito dos nossos adolescentes é fascinante e confuso – tanto para nós como para eles.

Desenvolvimento Físico

Esteja preparado para passar informação exata e valores nítidos sobre a sexualidade. Jamais faça piadinhas sobre características físicas, como por exemplo a altura e o peso. Alguns pais tentam motivar os filhos usando de sarcasmo ou ridicularizando-os. Eles acham que provocar ou pressionar os adolescentes quanto ao excesso de peso ou falta de organização vai causar mudanças positivas. Mas essas táticas de fazer pressão só criam ressentimento e uma forte resistência.

Pense e fale sobre saúde, não doença. É um erro enchermos os nossos adolescentes de atenção e afeto e lhes dedicarmos tempo só quando eles não estão se sentindo bem. A mensagem que precisamos transmitir às nossas filhas é que ficar menstruada não é o fim do mundo. Precisamos ajudar os nossos filhos a perceberem que arranhões e machucados não são coisa do outro mundo. Enfatize a recuperação.

Desenvolvimento Social

Muitas vezes os adolescentes dão a impressão de que o mundo gira ao redor deles, e parecem surpresos quando as pessoas não reconhecem este fato. O meu filho tem o seguinte Cartoon na frente da sua escrivaninha.

Figura:
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, MAGO?
– ESTOU PROCURANDO O CENTRO DO UNIVERSO
– TÁ FALANDO COM ELE

As crianças normalmente aceitam os amigos praticamente da maneira que são, com verrugas e tudo o mais. Mas quando chegam à puberdade, começam a formar a imagem ideal um do outro. Meninos e meninas que talvez se desprezavam na infância, nesta fase acham o sexo oposto interessante de se admirar e de se ter como companhia. Principalmente nos relacionamentos amorosos, os adolescentes imaginam a outra pessoa sempre melhor do que ela é. A pessoa por quem estão “gamados” parece perfeita em todos os sentidos. Mas essas gamações não duram muito, porque logo a realidade do ser humano se manifesta; eles ficam chocados ao encontrar defeitos na aparência, personalidade e valores do outro e hábitos que o irritam.

Estratégias:

  1. Comunicar-se. Isto significa que ouvimos quando os nossos adolescentes estão dispostos a falar e fazer perguntas. A meta é manter a linha de comunicação aberta, para que nossos adolescentes sintam que podem vir a nós a qualquer momento com as suas perguntas ou preocupações.
  2. Adquirir resistência à pressão social. Nós também nos deparamos com isso, não é? Uma grande senhora, no seu aniversário de 93 anos comentou: “A melhor coisa de se ter mais de 90 anos é que já não há mais aquela pressão social dos colegas.” Podemos ajudar os nossos adolescentes com o nosso próprio exemplo.

Desenvolvimento Mental

Ouvir as idéias dos nossos adolescentes não significa necessariamente que concordamos com eles, mas transmite a mensagem de que consideramos as suas idéias importantes. Isso os incentiva a continuarem conversando e pensando. Nesse processo, eles muitas vezes eliminam conceitos errôneos e chegam a uma melhor compreensão do que é realmente importante para eles.

Converse como amigo. Discuta idéias e sentimentos que são importantes, tal como você faria com um amigo. Tenha em mente chegar a um diálogo sincero e que gere reflexão. Uma garota de 16 anos escreveu numa pesquisa: “Eu converso com os meus pais abertamente sobre praticamente qualquer coisa. A minha mãe é tão incrível, porque ela consegue ver a minha percepção da situação, mesmo quando não concorda comigo. Quando ela está errada ela o admite. Quando está certa, toma tempo para explicar por quê.”

Desenvolvimento Emocional

Às vezes achamos que os adolescentes vivem numa montanha russa emocional: numa hora estão lá no alto explodindo de auto-confiança, otimismo e espírito divertido e brincalhão, e no momento seguinte estão nas profundezas da insegurança, do pessimismo e da depressão. Ao passo que para nós esses altos e baixos talvez pareçam desconexos, para os nossos adolescentes são muito reais, embora não consigam explicar por quê sentem assim.

Não menospreze os seus sentimentos. Dizer: “Vamos lá? Anime-se. Você não precisa ficar chateado com isso”, não ajuda. Além de sentir-se mal, o adolescente sente-se desafiado a defender a razão das suas fortes emoções. Ter que fazer isso leva o adolescente a achar que o adulto é insensível, e provavelmente ele cortará qualquer comunicação futura.

Não reaja de forma exagerada aos altos e baixos emocionais. Os adolescentes precisam de liberdade e tempo para adquirirem equilíbrio emocional. Aprender a ter sentimentos profundos e fortes é parte significativa de um ser humano com as suas funções completas. Se os nossos adolescentes conseguirem aprender a expressar seus sentimentos de forma sadia e evitarem realmente o lado nocivo das emoções (liberar sentimentos através de palavras ou ações que magoam outra pessoa), terão realizado uma das tarefas mais significativas da adolescência.

Desenvolvimento moral/espiritual

O psicólogo Davi Elkind escreve: “Os adolescentes precisam de um sistema de valores claramente definido com o qual possam testar outros valores e descobrirem os seus próprios. Mas quando os adultos, que são importantes na sua vida, desconhecem os seus próprios valores e não têm certeza do que é certo ou errado, do que é bom ou ruim, a tarefa do adolescente fica ainda mais difícil.” Quando um pai ou mãe diz: “Não sei o que é certo”, o adolescente ouve: “Pra mim não importa o que você faça.”

Estratégias:

  1. Seja sincero no que diz. Os adolescentes sentem o cheiro de hipocrisia de longe.
  2. Admita os seus erros. Não existe nada pior ou mais ridículo do que um pai ou mãe achar-se perfeito ou dar a impressão de que é melhor do que os outros. Os nossos adolescentes nos conhecem muito bem. Por outro lado, não existe nada mais convincente sobre o valor dos nossos padrões do que quando admitimos que falhamos em viver à altura dos mesmos e nos desculpamos e reconhecemos que erramos.”

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