Como Falar para que o Seu Adolescente Escute

Comunicar com adolescentes

Criar uma perspectiva. Eu me lembro que quando o meu filho Judson era criança, eu pensava nele como um pacotinho de energia ansioso por ser liberado, como uma obra de arte em processo de formação. Por isso o tratava com grande cuidado e respeito. Agora que ele é adolescente percebo que a imagem que eu tinha do meu filho ainda afeta o que eu falo e como falo. Influencia também o desenvolvimento do conceito que ele tem de si mesmo. Se eu digo que ele é um perdedor, ele tende a agir como tal. Se eu o trato como vencedor, ele tem maiores probabilidades de agir como vencedor. Já que os adolescentes estão no processo vulnerável da formação de identidade, a nossa opinião sobre eles e o que lhes dizemos influenciará o que virão a ser.
Treinado, não culpado. Além de aprendermos gramática, vocabulário e escrita, alguns de nós talvez tenham feito cursos de oratória. Mas quantos de nós foram instruídos em técnicas de escutar?
A Sperry Corporation descobriu que ao ensinar os funcionários a escutar, poderiam reduzir os erros de comunicação e poupar milhões de dólares. Uma pesquisa mostrou que os que tiveram treinamento em técnicas de escutar tornaram-se pessoas com mais motivação, propensas a menos erros e a desfrutar mais do seu trabalho do que os que não receberam o mesmo treinamento. Todos nós podemos desfrutar das vantagens de sermos treinados – não culpados.

Cinco passos para uma melhor comunicação:

Podemos fazer leves ajustes. Quando as coisas não dão certo na comunicação com os nossos adolescentes, o que inevitavelmente irá acontecer, podemos recapitular o ocorrido e fazer quaisquer alterações necessárias. Até mesmo pequenas diferenças no tom de voz, na escolha das palavras, na expressão facial, ou na maneira como escutamos pode alterar a opinião do adolescente a nosso respeito e a sua reação a nós.
Podemos estabelecer metas na comunicação. Eis alguns exemplos que me ajudaram.

  • Pensar antes de falar
  • Escutar sem interromper
  • Evitar falar num tom crítico
  • Falar calmamente sem levantar a voz
  • Fazer perguntas que levem a conversas interessantes
  • Falar com o meu adolescente da maneira que eu gostaria que ele falasse comigo

Podemos escolher as palavras.

1ª opção

Filha: Você sabe onde estão os meus sapatos?
Pai/mãe: Você nunca põe os seus sapatos no lugar, é por isso que nunca sabe onde estão!
Filha: Não vem com essa não! Por que é que a senhora está sempre perdendo as chaves?

2ª opção

Filha: Você sabe onde estão os meus sapatos?
Pai/mãe: Acho que você os deixou perto da cadeira azul.
Filha: Obrigada, mãe.

Na primeira opção, a mãe reage à pergunta da filha com uma crítica, tenta corrigir um comportamento e gera problemas. Na segunda opção, a mãe responde sem julgar e gera gratidão.

Podemos aprender com a nossa própria experiência. Podemos retirar do nosso banco de memória lembranças de como nós nos sentíamos quando os adultos falavam conosco com respeito, ou gritavam conosco chateados por alguma razão, ou quando pediam a nossa opinião, ou nos elogiavam por termos feito um bom trabalho. Essa recordação, combinada com novos conhecimentos e habilidades, nos ajudará a aceitar o desafio da comunicação com os nossos adolescentes.
Podemos nos comprometer a aproveitar ao máximo o que temos de bom. Creio que há um lado bom dentro de cada um de nós para fazer uma diferença positiva na maneira como nos comunicamos com os nossos adolescentes. Como descobrir isso? Comprometendo-nos a aproveitar ao máximo o que temos de bom. Sem esse compromisso desistiremos quando falharmos. Assumindo esse compromisso, quando falharmos (e falharemos de vez em quando), nos adaptaremos, tentaremos novamente e acabaremos por ter êxito.

Passos ativos para uma comunicação positiva:

  1. Já que os objetivos são a base de qualquer compromisso, por que você quer ter uma melhor comunicação com o seu adolescente?
  2. Mencione alguns obstáculos que interferiram na boa comunicação.
  3. Quando aparecem obstáculos, o que você pode fazer para contorná-los?

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